Perguntas e Respostas - Simpósio Via Web 04 - Compreendendo e Prevenindo o Acesso Venoso Difícil

1-Recentemente vi um artigo científico que discutia a utilizaçãoda tecnologia Near-Infrared(NIR) e não NIR emterapiaintravenosa, que não apresentou aumento significativo da eficácia com o NIR. Desculpe, eu não tenho citações, mas você pode explicar por que esse resultado?

R- Houve numerosos estudos realizados avaliando o uso da tecnologia NIR na visualização de veias e os resultados variaram. Uma coisa a notar é a variação no tipo de paciente e nível de experiência da equipe de enfermagem dentro desses estudos. Alguns estudos relataram uma alta taxa de sucesso no grupo controle; então teria sentido você ver menos impacto dos dispositivos com a tecnologia NIR. Nas populações de pacientes com maior necessidade, como pacientes pediátricos ou renais, os estudos mostraram uma grande melhora nas taxas de sucesso. Houve vários estudos que mostraram significância clínica. Além das taxas de sucesso na primeirapunção, devemos nos concentrar na importância de um padrão mais alto na avaliação do paciente para prevenir o futuro acesso venoso difícil.

É importante perceber que a tecnologia NIR é uma ferramenta que, entre as várias vantagens que oferece, permite a visualização de veias, muitas vezes as veias que você não pode ver nitidamente a olho nu. Se a métrica que você está avaliando é a capacidade de atingir a veia, isso não torna o indivíduo melhor no acesso venoso do que seria com as veias visíveis apenas com seus olhos. Portanto, você nunca esperaria que um clínico fosse mais bem-sucedido no acesso com o NIR do que com uma veia prontamente visível. Tal como acontece com qualquer tecnologia, existe uma curva de aprendizado, por isso demorará algum tempo para se tornar habilidoso com o dispositivo. Se você usa NIR para sua capacidade máxima, identificando válvulas, bifurcações e tortuosidades e tem um índice de cateter para veia de 1:3, não tenho dúvidas de que você verá menos complicações e tempo de permanência prolongados. 

2- O que você sugere em pacientes com veias muito pequenas quando os cateteres são todos maiores do que um terço do vaso, e é para colocação de curto prazo?

R- Se essa é a sua única opção, então você terá que usar veias mais pequenas. Se o paciente precisar de um acesso de longo prazo e tiver opções venosas limitadas, seria mais viável usar um Midline ou PICC para atender a terapêutica.

3- Você consegue comparar e contrastar os riscos associados ao NIR e ao US?

R- Esse é um tipo de pergunta que eu gostaria que estivesse falando com você pessoalmente, pois não tenho certeza do que você quer dizer. Ambos os dispositivos são aprovados pela FDA, são seguros e são benéficos de muitas maneiras. Então eu realmente não penso neles em termos de dispositivos de risco. Há naturalmente, um "risco" de pessoas menos experientes que os utilizam, pois durante o processo de aprendizagem pode haver mais tentativas, falhas como com qualquer dispositivo. O dilema é que uma pessoa não pode melhorar suas habilidades, a menos que elas pratiquem frequentemente. Eu sempre recomendo às pessoas a praticar primeiro ou participar de sessões de treinamento para colaborar na curva de aprendizado. Além disso, se você tem uma pessoa mais experiente que pode dar dicas sua curva de aprendizado pessoal pode ser mais rápida. Outro desafio potencial é que o recém formado pode estar tão focado na tecnologia, que eles esquecem tudo o que sabem sobre práticas seguras, poderiam potencialmente colocar um paciente de uma maneira que não faz sentido anatômico ou se furar com uma agulha. O clínico deve se lembrar das melhores práticas tradicionais. Com qualquer um dos dispositivos, é necessário avaliação tátil durante a inserção e o retorno do sangue no cateter para garantir que está dentro da veia. Além disso, após a inserção devemos realizar permeabilização do cateter para certificarmos de que o cateter está totalmente funcional.

4- Fico feliz que você tenha mencionado sobre o paciente, dizendo que eles são difíceis. Eu acho que muitos profissionais não os levam a sério. Você acha que isso é interfere na assistência?R- Eu sempre escuto os pacientes e familiares sobre as informações que eles fornecem. Um bom relato é essencial em relação a ajudar o clínico a melhorar os cuidados e evitar erros anteriores. Um dos maiores preditores do acesso venoso difícil é uma história anterior de punção. Como todas as informações, precisamos interpretá-la e trazê-las para o contexto que encontramos durante nossa própria avaliação, e desta forma forneceremos os melhores cuidados possíveis.

5- Eu vejo?e?perceboqueos?profissionais??não?entendem??que amaneira inadequadade aplicar o garrote pode interferir seriamente com o processo?

R- Você está certo. Garrote muito apertado irá reduzir o fluxo arterial e limitar o enchimento venoso. Garrote muito solto não proporcionará resistência suficiente do fluxo venoso, resultando em rompimento ao colocar o cateter, a menos que seja inserido com muito cuidado.

6- É necessário usar garrote com a tecnologia NIR-VeinViewer?

R- É uma prática indicada usar o garrote para aumentar o calibre do vaso, mas não é necessário ao usar o VeinViewer (Recomendação de instituições americanas no Brasil recomenda o uso de garrote em punções venosas periféricas com ou sem o VeinViewer). O clínico pode utilizar o garrote em conjunto com a avaliação do NIR, que é facilmente incorporado a sua prática clínica. O principal objetivo de um garrote é manter o lúmen da veia facilitando a inserçãodocateter. Se em sua prática é comum não usar garrote, não há problema mas a técnica de inserção deve acomodar um alvo venoso mais compressível.

7- Você poderia repetir o funcionamento da tecnologia NIR?

R- A luz Near Infrared (NIR)-Quase Infravermelha, com aproximadamente o mesmo comprimento de onda que a oximetria de pulso, é inundada na pele. A hemoglobina absorve o NIR e o tecido circundante o dispersa. Essas informações são processadas pelo dispositivo queem seguida projeta sobre a pele uma imagem digital e real das veias periféricas, com qual podemos interagir.

8- A tecnologia NIR pode detectar os nervos?

R- O NIR detecta a hemoglobina; portanto, os nervos não são visíveis com esse tipo de tecnologia.

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